divórcio ou casamento eterno?...

2008-10-03

Exemplo sem exemplo

Uma das notícias destes últimos tempos que me chamou a atenção foi a renúncia de Ramalho Eanes aos muitos euros de retroactivos a que, como lhe foi reconhecido, tinha direito a receber por deficiência legislativa.
A justificação de que em tempos de crise tão grave não “podia” receber do Estado aquele milhão e trezentos mil euros é para já um instrutivo exercício de cidadania. Mas mais que isso é uma denúncia de luva branca a todos aqueles que não pensam noutra coisa que não seja o dinheiro e cada vez mais dinheiro, mesmo qu ele seja dos cidadãos
Também é muito significativo o pouco relevo e o rápido esquecimento a que foi votado este facto: é que este gesto deve incomodar muita gente. Não aceitar aqueles milhões deve ser de maluco!
Mas é este o nosso mundo, um mundo cujo deus principal do nosso panteísmo social é claramente o dinheiro. Quem não pertence a esta religião é um perigoso herege que deve ser o mais rapidamente ostracizado.
Talvez que a última crise em que os adoradores do dinheiro, depois de se abotoarem com milhões, levaram à falência bancos tão importantes para o sistema financeiro que obrigaram os governos e os bancos centrais a injectar milhões de milhões de dólares/euros, nos leve a pensar num duplo logro:
- o sistema capitalista é porreiro para encher os bolsos de alguns, mas quando há problemas somos todos a pagar, praticando uma espécie de “socialismo” (assim género clínicas privadas que operam quando dá muito dinheiro, mas mal surge um problema sério mandam logo o paciente para os hospitais públicos!);
- é tempo de não adorarmos tanto o dinheiro e procurar um estilo de vida mais frugal e sóbrio… com uma excepção, a dos que passam fome e não têm o mínimo para viver com dignidade.

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