divórcio ou casamento eterno?...

2006-06-22

Uma questão de caras

Segundo o jornal de hoje, o Comité de Ética do Royal Free Hospital poderá autorizar um transplante total da cara.
Para lá das complicações do foro médico, o debate centra-se nas implicações psicológicas: como irá reagir o doente a uma cara totalmente diferente da sua?
Imagino que seja um trauma complexo, mas a pergunta pode também fazer-se para o caso de o transplante não ser feito e a pessoa ficar com a cara totalmente desfigurada. Qual será diferença psicológica: uma cara sã mas não a própria ou a cara própria mas desfigurada e até irreconhecível?
De qualquer modo, no meio de tanta angústia e de tantas inseguranças que parece rodearem-nos é bom saber que os avanços médicos continuam e que procuram estar ao serviço da qualidade de vida das pessoas.

4 Comentários:

Anonymous cvj disse...

Olá
Isso demonstra que as decisões nem sempre são fáceis de tomar e uma decisão tem influências e influencia muitos outros campos da vida de cada um, pessoal ou social.
O importante, tanto na pesquiza como nas decisões de cada um, parece-me estar em duas coisas: consciência pessoal e bem comum. nenhuma delas só, mas as duas juntas para se equilibrarem.
Um abraço
Leonel

23/6/06 00:33

 
Blogger BLUESMILE disse...

Eu não tenho dúvidas que entre um ter rosto desfigurado (ou não ter rosto) e ter a possibilidade de ter um rosto humano,qualquer que seja, que permita reconquistar o espaço básico de sociabilidade com os outros, o espaço de amor e de devir, não há sequer hesitações.
Nem devaneios sobre traumas psicológicos.
Haverá maior trauma do que estar privado para sempre da face da nossa humanidade e estar reduzido a uma máscara monstruosa???

23/6/06 04:39

 
Blogger Zé Dias disse...

Este debate pode alargar-se ao papel do nosso corpo.
Desprezado por uns, idolatrado por outros e explorado por muitos, o corpo,sobretudo na tradição cristã não tem sido devidamente valorizado (tanto séculos a ser considerado um dos três "inimigos da alma"), sobretudo até ao Concílio Vaticano II, que proclamou a unicidade da pessoa ("una de corpro e alma": GS 14).
E, no entanto, é através do corpo que nós comunicamos: o corpo não é um mero mediador mas o espaço sem o qual não pode haver realização pessoal e comunitária.
Daí que seja indispensável recusar concepções dualistas e proceder a uma autêntica reapropriação do corpo, não restritiva mas integradora, não contra o espírito ou prescindindo do espírito, porque o que está em questão é sempre a pessoa na sua totalidade: corpo, sentimento, espírito, inteligência, vontade.

E nesta integração, a cara tem um papel fundamental.
Daí que a cirurgia plástica possa também ser vista como um meio indispensável para a recuperação da auto-estima indispensável a uma saudável identidade.
Como sempre, os pobes têm de descobrir formas mais acessíveis à bolsa para estimular a sua auto-estima!

23/6/06 10:10

 
Anonymous Anónimo disse...

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16/3/07 19:14

 

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