divórcio ou casamento eterno?...

2006-04-04

Quotas ou "Cotas"?

A lei da paridade (de género, como se diz agora) veio mostrar como somos ainda tão machistas tanto os homens como as mulheres.
As reacções a esta lei foram feitas a partir do pressuposto que vinha impor uma quota mínima (1/3) de mulheres nas listas para os vários órgãos de poder.
Ora o que a lei diz é que, nas listas, não pode haver mais que dois nomes seguidos do mesmo sexo; não diz que não pode haver mais que dois homens seguidos. Portanto se há quotas elas são tanto para homens como para mulheres.
Por isso é de estranhar (ou talvez não...) que sejam as mulheres as perimeiras a recusar quotas para as mulheres quando não é isso o que está na lei.
O problema (freudiano!?) está em que, embora a lei não refira explicitamente as mulheres, no fundo é nelas que todos pensamos... possivelmente até o próprio legislador.
E com esta mentalidade não vamos muito longe...
Por isso, fica a pergunta: trata-se de uma questão de quotas ou somos todos uns "cotas"?

6 Comentários:

Anonymous Molhobico disse...

Somos todos uns cotas, uns machistas e... uns incoerentes, porque o problema é muito mais complicado que isso tudo. deixemos de ser hipócritas, porque efectivamente há uma questão muito mais complicada, que está inerente à própria natureza do ser humano, e não só. Na minha empresa já vierem parar duas cadelas. por ali ficaram quando estavam "de barriga cheia". 7 cãezinhos lindos, que ela, a mãe cadela nunca abandonava, enquanto não arranjávamos donos para os seus filhos. Os pais dos ditos nunca os conheci. A mãe,natureza que encontramos e não discutimos, faz parte do sistema evolutivo da espécie. Não é por acaso que nascemos do ventre de uma mulher.
O meu raciocínio passa por aqui. Respeitemos as diferenças. E saibamos viver com elas. É evidente que a maior diferença não está em nós mas nas ainda graves desigualdades de outros povos, que ainda consideram a mulher como um ser inferior, que é muito diferente de a considerarmos precisamente isso - diferente. Portanto, o problema, para mim não se mede em quantidades mas em razoabilidades. A mulher se se respeitar a si própria terá que saber reconhecer os limites da diferença e do valor daquilo que a natureza lhes deu como dom - ser Mãe!

7/4/06 23:15

 
Anonymous Ângela disse...

Sejamos coerentes. Que me desculpe o comentador anterior mas o grande dom da mulher não é ser mãe, é ser mulher tal como o grande dom do homem não é ser pai é ser homem. Toda a natureza, com uma excepção muito excepcional tem estas duas componentes - o macho e a fêmea, o masculino e o feminino que dão continuidade à vida, seja ela animal ou vegetal. Esta questão das "diferenças" (tão naturais como a própria Natureza) não é sequer discutível porque só haveria vida pela própria inerência das diferenças. O problema é outro, é cultural, é social, é, se quisermos, um complexo de conveniência. Por alguma razão "Deus criou o homem e depois a mulher" e a única razão é que eles teriam que ser diferentes não desiguais. Por isso, concordo plenamente com a conclusão do artigo "somos todos uns cotas".

17/4/06 10:30

 
Blogger Zé Dias disse...

Já agora acrescentaria que na Bíblia aparecem duas "criações do homem": uma no segundo capítulo, mais antiga e mais popular, na qual realmente Deus criou primeiro o homem e só depois a mulher a partir da costela (este episódio é meramente etiológico, isto é, tem como objectivo justificar uma realidade que não tinha explicação na altura: o amor mútuo atractivo entre o homem e a mulher e vice-versa).
Mas no primeiro capítulo há uma outra discrição: est mais elaborada, mais reflectida, mais teológica. E nesta, o homem não é criado primeiro, mas simultaneamente com a mulher: "Criou Deus o ser humano (adam) à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou" (Gn 1,27.
Portanto, a criação deambos é simultânea: como constituintes fundantes do ser humano, homem e mulher foram criados à imagem de Deus.
As diferenças socialmente e artificialmente alimentadas quanto a direitos e deveres fundamentais não são naturais mas impostas por mentalidades declarada ou implicitamente machistas.

17/4/06 17:45

 
Anonymous Molhobico disse...

É evidente que eu estou no mesmo caminho, concordo que tudo está inerente a questões culturais e sociais. Também o conteúdo teológico é, no fundo, uma questão cultural, uma vez que, cientificamente, as coisas são um pouco diferentes. A evolução da espécie humana ainda tem muito para descobrir.
A Ângela que me desculpe. Mas mesmo caindo na situação de me chamarem cota, continuo a pensar que ser mãe é um dom, embora reconheça que nem todas as mulheres estejam preparadas para o aceitar. Aqui está a grande diferença.

20/4/06 03:00

 
Blogger BLUESMILE disse...

Contunuo a pensar que ser pai é um dom-. Embora infelizmente nem todos os homens estejam preparados para oa aceitar. Aqui é que está a grande igualdade - homens e mulheres são chamados de igual forma ao projecto de Deus de co-criação da humanidade.
As responsabilidades são as mesmas.
E que tem isto a cer com os cotas ( e as quotas)??? Tudo.
SE houvesse efectiva paridade nos projectos de parentalidade conjugal, se muitos homens não fossem como o comentarista anterior, remetendo a responsabilidade da parentalidade para as mulheres....

22/4/06 00:12

 
Blogger Zé Dias disse...

O que fundamenta a dignidade da mulher não é o (poder) ser mãe, mas o ser pessoa.
Naturalmente cada sexo tem as suas características, tal como cada pessoa. Mas não são as funções nem os dons que definem e fundamentam a dignidade da pessoa. É a pessoa, quem quer que ela seja, que dá dignidade às funções e aos dons. Que grande parte não acredita nisto vê-se particularmente no que respeita ao trabalho: todos querem ser doutores e ter um trabalho compatível com tal dignidade, esquecendo-se que não é o trabalho que dá dignidade à pessoa, mas a pessoa ao trabalho. Mas voltando atrás, por isso é que há pais maus e bons, tal como hã mães boas e más.
Efectivamente "o sábado (qualquer que ele seja) foi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Mc 2,27).

24/4/06 11:46

 

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