divórcio ou casamento eterno?...

2007-05-01

Dia do Trabalho

Dia de recordar o passado e as suas lutas libertadoras. Dia de fazer reivindicações. Tudo muito certo e necessário.
Mas...
Era bom aprofundar as novas realidades e não ficar pelas velhas soluções que foram muito importantes mas que tiveram o seu tempo.
Hoje há uma realidade outra que não pode ser esquecida. E não estou a referir-me às leis laborais e às ditaduras das multinacionais que se deslocalizam quando querem...
Penso que vivemos uma situação muito semelhante à dos tempos da Revolução Industrial. Há uma mudança de paradigma e é preciso, conjuntamente, com as lutas clássicas, olhar mais para a frente. E não só os trabalhadores e os sindicatos. Mas toda a sociedade. Por exemplo, as nossas universidades ainda preparam muito para profissões clássicas que possivelmente daqui a uma dúzia de anos já não terão espaço em vez de explorarem com ousadia os novos nichos laborais. Tal como a Revolução Industrial destruiu as velhas estruturas de segurança dos trabalhadores, mas simultaneamente abriu a porta a muitas outras profissões novas, assim hoje teremos de olhar não só para a destruição de tantos postos de trabalho clássicos, mas pensar como podemos explorar as muitas potencialidades que se nos abrem. É certo que se exige uma outra preparação dos trabalhadores (já não basta saber apertar parafusos que qualquer robo faz melhor e mais depressa), mas sobretudo uma outra mentalidade: não há empregos fixos para toda a vida, então o trabalhador tem que estar preparado, técnica e psicologicamente, para várias saídas, que lhe põem ao dispor muitas hipóteses, tem de ter conhecimentos suficientemente elásticos e não ficar-se por uma área específica. A escola não pode contentar-se com uma preparação académica para entrar na universidade.
Tudo isto para dizer que tem de haver da parte de todos especialmente dos que estão agora a passar esta fase dolorosa (toda a mudança de paradigma é dolorosa para a geração que a tem de viver) que se forem capazes de usar a sua criatividade e não quiserem ficar à espera que os outros lhes resolvam o problema, há milhentos campos onde as suas capacidades e talentos podem render muito mais que imaginam.
Ao actuar assim estão a dar a melhor resposta a uma crise que só subsistirá se olharmos para o futuro com os olhares nostálgicos de uma passada idade de ouro que nunca existiu. As idades de ouro estão no futuro e dependem de todos nós, da capacidade conjunta de todos participarmos na solução dos problemas do dia a dia e na construção de um futuro que será sempre à medida dos nossos esforços, dos nossos ideias e da nossa capacidade criativa de resposta adequada.

3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

é bom saber-te de volta, Zé Dias. É bom sinal, Deus o queira. Um abraço do ff leal

2/5/07 13:57

 
Anonymous Olinda Marques disse...

Ainda bem que continuas a ser sinal de esperança quando tantos olham o futuro do trabalho com pessimismo.
Um abraço forte e amigo
Olinda

3/5/07 21:45

 
Anonymous Lena disse...

Tal como os problemas graves são os nossos, depois os do vizinho, depois os da terra, depois os do país e só muito depois são os do mundo, que vão gradualmente diminuindo de intensidade que a meio caminho já nem se pensa neles sequer, quanto mais como problemas.
O elixir da longa vida, tal com a idade de ouro nunca existiu, mas é sempre mais fácil pensar que as gerações anteriores viveram muito melhor do que nós. Certo é que, como dizes, o novo paradigma já aí está, real e não virtual, mas teimamos em encarar os problemas com os olhos no (melhor) do passado. Estamos sempre a querer ficar instalados no que conhecemos e não dar o salto para o desconhecido, porque nos traz medos e inseguranças e... muito trabalho e responsabilidades.
Os pais, os professores (o ensino) continuam a replicar os velhos modelos e a não avaliar as consequências do instituído, saltitando, como baratas tontas, em acusações ora a uns ora a outros, conforme se adeque melhor ao momento.
E vamos fazendo de conta que tudo se irá resolvendo, que não somos corresponsáveis nesta sociedade que, cada vez mais, nos vai trocando as voltas.
1º de Maio- dia do trabalhador- que reflexão foi feita a pensar em medidas para encarar esse novo paradigma?
Será que as manifestações (de velhos)com (velhos) slogans ou as (velhas) festas para entreter o povo é uma forma séria de celebrar este dia?
Será que perdemos a criatividade e só sabemos encarar as novas realidades com os mesmos saudosistas argumentos?
Afinal os mais velhos não estarão iludidos entre o virtual e o real?

5/5/07 03:23

 

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