divórcio ou casamento eterno?...

2011-06-01

Dizem que 1 de Junho é o Dia da Criança

Não consigo deixar de escrever três notas: duas negativas e uma positiva.

1. O vídeo da violência
Passei uns dias no hospital, onde os doentes não dispensam a TVI o dia todo e, embora me tenha refugiado nalguma leitura e na preparação de uns apontamentos que me pediram, ia ouvindo (ainda bem que o som estava baixo e eu ouço mal) coisas muito apropriadas.
Embora não sejam propriamente crianças (não sei bem qual é a idade em que deixa de se ser considerado criança), a TVI (e nas outras não deve ter sido muito diferente) passou em programas de entretenimento e no Telejornal várias vezes aquele vídeo famoso – que já deve ter corrido o mundo inteiro espalhando o nosso bom nome – a mostrar miúdas a pontapear uma colega enquanto o fotógrafo machão registava tudo com o devido pormenor. Que o idiota deste fotógrafo se divirta com estas imagem em vez de acabar com aquela barbaridade é já de uma gravidade indescritível, mas que uma TV explore o tema, repetindo, repetindo, repetindo, repetindo até à exaustão aquele espectáculo, o mínimo que merecia era que os cidadãos fizessem tudo para acabar com esta canalhada. Não encontro palavras para classificar a imoralidade de quem manda passar aquilo. Faca e alguidar é o que dá, não é meus senhores? Pensaram, ao menos, um segundo, no exemplo que estão a dar a meia dúzia de miúdos desequilibrados e que com esse vosso esforço e dedicação, não tardarão muito a repetir a cena?  Mas vocês estão lá preocupados com isso. O que é preciso é audiência. E como parece que somos um povo de papalvos, apenas preocupados com o pão e o circo, está tudo de acordo.
EU NÂÂÂÔOOOO!

2. Os dinheiros do TGV
Também assisti a um anúncio muito colorido, este com criancinhas, em que uma delas diz qualquer coisa relacionada com o que se poderia fazer se se usasse o dinheiro do TGV para outros fins. Não ouvi bem, mas pareceu-me que a criancinha até estava a dizer uma verdade que é necessário denunciar.
Mas uma criança, Senhor! Quem é que lhe encomendou o sermão? Tem medo de dar a cara? Não me admiraria nada numa sociedade de não cidadãos onde proliferam cobardes que só falam pelas costas e estão sempre a “engraixar” o chefe que detestam mas com quem estar bem! Usar crianças para reclames destes? Ao que nós chegámos!
Mas eu quero denunciar sobretudo toda a crescente exploração das crianças no campo da publicidade. Qualquer dia, destronam as “boazonhas” quase despidas e também alguns “bonzões”, que aparecem em qualquer produto tenha ou não a ver com a beleza exterior.
Estamos numa desmoralização tal que até as crianças estamos a conspurcar, certamente com o aplauso dos papazinhos e mamãzinhas que devem receber “algum” e sobretudo vêm os seus lindos meninos na televisão. Que felicidade lá em casa ver as vedetas, escravos da ganância dos publicitários e da imoralidade dos pais.
Como é possível chegarmos a este ponto e não gritarmos BASTA! Deixem as crianças ser crianças, deixem-nas crescer normalmente, ajudem-nas a desenvolver as suas qualidades naturais, mas não façam delas objectos de exploração comercial.

3. Associação de Advogados para defender as crianças
Citação literal do jornal i de 1.Junho.2011
Cinco advogados especialistas em Direito da Família fundaram associação inédita para dar voz às crianças na barra dos tribunais.
É uma associação dedicada à protecção das crianças, mas dentro dos tribunais. Um grupo de advogados especialistas em Direito da Família juntou-se para criar um organismo de defesa dos direitos da criança. Rui Alves PereiraAlexandre de Sousa MachadoRita SassettiLeonor Vicente Ribeiro e Cristina de Sousa querem envolver magistrados, professores, psicólogos e pais numa organização "inédita" em Portugal, que garanta a defesa dos menores diante da Justiça. "Porque, por vezes, a legislação protege mais os pais do que as crianças", justifica Rui Alves Pereira.
A primeira batalha da associação - que já tem nome mas ainda está a aguardar confirmação de registo - será pela criação de um Código da Criança. Um documento que, explica o advogado, não existe no ordenamento jurídico português e serviria para congregar toda a legislação referente aos menores. "Enquanto advogados apercebemo-nos que há pessoas que não têm noção de toda a legislação, porque o que existe são decretos--lei avulsos", diz. Outro dos objectivos será promover conferências e debates - envolvendo profissionais das várias áreas ligadas às crianças - para reflectir sobre matérias jurídicas que levantem dúvidas, como a guarda conjunta, exemplifica o advogado. "Tem havido alguma confusão depois de, em 2008, se ter deixado de falar em poder paternal ou guarda para se passar a falar em responsabilidades parentais", diz Rui Alves Pereira. "Confunde-se responsabilidade parental conjunta com guarda conjunta, quando não é isso que resulta da lei. É uma questão controversa que está a preocupar juízes, procuradores e advogados", garante o advogado. Reflectir antecipadamente sobre estas questões é "fundamental, antes que qualquer dia, por força de um decreto, se imponha uma decisão desse género a uma criança, sem se saber se é o mais acertado", acrescenta.
O rapto internacional de crianças ou a alteração de residência do progenitor que detém a guarda do menor são outros assuntos a pedir debate. "O número de casamentos entre pessoas de nacionalidades diferentes está a aumentar e há casos em que depois do divórcio o membro do casal que detém a guarda dos filhos quer regressar ao seu país, o que levanta muitas questões jurídicas", sublinha Rui Alves Pereira. 
O número crescente de divórcios também preocupa os advogados. "Importa mostrar à sociedade e aos pais que não podem confundir os papéis de marido e mulher com o de progenitores. Há pais que partem para o litígio sem compreenderem o que isso faz aos filhos. O casal acha que se assumir determinados comportamentos está a atingir a outra parte, mas está é a atingir a criança", avisa o advogado, que defende uma participação maior dos menores nos tribunais. "Há testemunhas dos pais e das mães, mas quem é a voz da criança? É preciso uma participação maior do menor, quer de forma directa, através da sua audição em tribunal, quer através das pessoas que estão em contacto com ela, como professores ou educadores", defende. 
A associação de advogados deve começar a trabalhar "em breve", remata Rui Alves Pereira.
APPLLLAAAAUUUUUDDDDDDOOOOOOOO!!!!!!!!!

0 Comentários:

Enviar um comentário

<< Home