divórcio ou casamento eterno?...

2008-08-01

Igreja portuguesa numa sociedade plural: Bispos (1)

Nem sempre é fácil para quem viveu, até há pouco em estado de cristandade, aprender a viver numa sociedade plural e aberta.
Em Portugal, um estudo que valeria a pena ser feita é o das “oscilações” que as atitudes dos nossos Bispos foram tendo a partir do 25 de Abril. Outro é olhar o comportamento dos cristãos em geral.
De um modo simplista, aqui deixo um esquema a partir de algumas Cartas pastorais. Faço-o com bastante "temor e tremor" pois não sou historiador, mas um mero curiosos que procura ler com algum cuidado os documentos dos nossos Bispos. Feita esta ressalva, parece-me que podemos, e insisto de um modo simplista, falar de quatro períodos: 1) a aposta num Portugal cristão; 2) a aposta num Portugal a definir por todos os portugueses; 3) de novo a aposta num Portugal cristão; 4) a aposta no diálogo aberto com a sociedade portuguesa.

1º - Portugal cristão
Carta Pastoral sobre o Contributo dos cristãos para a vida social e política (16.6.1974)
Recorda o 25 de Abril como um acontecimento libertador: “Em primeiro lugar, não há dúvida de que o movimento de 25 de Abril se fez sob o signo da libertação. Operou uma revolução sem derramamento de sangue, proclamou o acesso às liberdades cívicas, reintegrou na comunidade presos e exilados políticos, despertou novas esperanças em largos sectores deprimidos da população, desarmou o ostracismo a que grande parte do mundo nos votava; e, para além destes factos, fez a promessa de um Portugal novo, a ser construído sobre alicerces democráticos por todos os portugueses. Ora há em tudo isto valores evangélicos, com os quais ninguém deixará de se congratular” (14).
Quanto ao projecto do Portugal futuro ele deverá ser um Portugal cristão: “Uma pergunta de capital importância surge desde logo. Que Portugal construir? Está em jogo um projecto fundamental… Uma tarefa gigantesca de reflexão e inventiva está reservada aos portugueses. E, se nenhum deles se lhe pode furtar, muito menos os cristãos, que, no dizer de Cristo, tem de ser, onde estiverem, o sal da terra e a luz do mundo. Portugal há-de continuar a ser cristão. Estamos convictos de que é este o desejo íntimo da maioria dos seus filhos" (36).

2º - Portugal a definir por todos
Carta Pastoral sobre As perspectivas cristãs da reconstrução nacional (14.3.1979).
O projecto do Portugal futuro é o que os portugueses desejarem prosseguir em conjunto e deve ser definido e realizado por todos, tendo a Igreja também, naturalmente, uma palavra a dizer, cabendo particularmente “aos leigos, agindo em seu nome e por responsabilidade pessoal, guiados pela luz do Evangelho e pelo pensamento da Igreja e impelidos perla caridade cristã… a obrigação se empenharem em tal projecto, por meio da legítima actividade política e na diversidade das soluções que o pluralismo pressupõe e estimula”: “Olhar o futuro com esperança e reforçar a solidariedade e o diálogo cívico, eis dois aspectos fundamentais para quem pretenda enfrentar as dificuldades presentes, no largo horizonte do destino pátrio, em vez de se perder no labirinto de questões puramente circunstanciais. Portanto, devemos sublinhar que o projecto de futuro que os portugueses desejam prosseguir em conjunto é por todos eles que haverá que ser definido e realizado" (11).
Por isso, é urgente a promoção da justiça social, especialmente entre os que são vítimas do sofrimento, da exploração ou da injustiça: "Para os portugueses, em especial os que são vítimas de sofrimento, exploração ou injustiça, é premente encontrar um caminho novo: o da promoção colectiva, o da justiça social, o da cessação de um destino secular de pobreza e desigualdade, que corre o risco de se agravar sem remédio na dura competição entre as nações, se não formados capazes de um urgente esforço comum. Hoje a nossa principal contribuição para a paz está em desenvolvermo-nos com justiça social" (17).
Por isso, a Igreja está solidária com os portugueses: “Com os portugueses nos encontramos unidos na inquietação, na sacrifício e no sofrimento; sentimos a interpelação da esperança no futuro de Portugal; assumimos o dever de uma corajosa solidariedade para, no diálogo e na tolerância, construirmos a nossa paz e a nossa nova sociedade; partilhamos, enfim, a certeza de que da vontade e do trabalho de todos haverá de resultar o desenvolvimento do País” (Conclusão).

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